O agronegócio brasileiro registrou um recorde de 1.990 pedidos de recuperação judicial em 2025, um aumento de 35% em relação ao ano anterior. O setor, que historicamente era um dos menos afetados por processos de insolvência, agora lidera o ranking nacional.

Os principais fatores por trás desse crescimento são: a queda nos preços internacionais de commodities como soja, milho e café; o endividamento acumulado durante os anos de expansão acelerada; as condições climáticas adversas em diversas regiões; e os juros elevados que encarecem o crédito rural.

Grandes grupos como a Agrogalaxy, que pediu recuperação judicial em setembro de 2024 com dívidas de R$ 3,7 bilhões, chamaram a atenção da mídia. Mas a maioria dos pedidos vem de produtores rurais de médio porte e empresas familiares que operam com margens apertadas e alta dependência de financiamento.

A boa notícia é que o agronegócio tem características que favorecem a recuperação: ativos tangíveis (terras, máquinas, estoques), receita previsível (safras futuras) e forte demanda por seus produtos. Com orientação adequada e um plano de recuperação bem elaborado, muitas dessas empresas têm boas chances de se reestruturar e voltar a operar de forma sustentável.