No Brasil, pedir recuperação judicial ainda carrega um estigma pesado. Muitos empresários veem o instrumento como uma admissão de fracasso, uma mancha na reputação que jamais será apagada. Essa percepção, além de incorreta, é perigosa — porque leva empresários a evitarem a recuperação até que seja tarde demais.

Nos Estados Unidos, o Chapter 11 — equivalente à nossa recuperação judicial — é visto de forma completamente diferente. Empresas como General Motors, Marvel, Delta Airlines e até Donald Trump já passaram por processos de reestruturação e saíram mais fortes. O Chapter 11 é tratado como uma ferramenta estratégica, não como um atestado de incompetência.

No Brasil, precisamos fazer essa mesma mudança cultural. Pedir recuperação judicial não é fracassar — é reconhecer que a empresa está em crise e tomar a decisão mais responsável para preservá-la. É proteger empregos, honrar compromissos com credores na medida do possível, e dar à empresa uma chance real de se reestruturar.

O estigma da recuperação judicial prejudica não apenas os empresários, mas toda a sociedade. Quando uma empresa fecha por vergonha de pedir ajuda, quem perde são os trabalhadores, os fornecedores, as famílias e as comunidades que dependiam dela.