Há um ditado entre os especialistas em reestruturação empresarial que sintetiza décadas de experiência: "a pior recuperação judicial sempre será melhor que a melhor falência". A frase pode parecer exagerada, mas os números a sustentam com clareza.
Quando uma empresa falida é liquidada, os credores trabalhistas recebem, em média, apenas 15% do que lhes é devido. Os credores quirografários — fornecedores, prestadores de serviço — recebem menos de 5%. E os empregos são perdidos de forma definitiva.
Na recuperação judicial, mesmo nos casos menos bem-sucedidos, os credores trabalhistas costumam receber entre 60% e 80% de seus créditos. Fornecedores recuperam entre 20% e 40%. E, crucialmente, os empregos são preservados — pelo menos durante o processo, e frequentemente de forma permanente quando a recuperação é bem-sucedida.
Mas o argumento vai além dos números. Cada empresa que fecha leva consigo não apenas empregos diretos, mas toda uma cadeia de valor: fornecedores que perdem um cliente, prestadores de serviço que perdem contratos, famílias que perdem sua fonte de renda. Em cidades menores, o fechamento de uma única empresa pode devastar a economia local.
É por isso que democratizar o acesso à informação sobre recuperação judicial não é apenas uma questão jurídica — é uma questão social e econômica. Quando um empresário em crise não sabe que pode pedir recuperação, ou não tem acesso a orientação adequada, quem perde não é apenas ele: é toda a comunidade que depende daquela empresa.