A distribuição geográfica dos pedidos de recuperação judicial no Brasil revela um mapa complexo, que reflete tanto a concentração econômica do país quanto as crises setoriais que afetam diferentes regiões.
São Paulo lidera com 1.836 pedidos, representando 32% do total nacional. O estado concentra a maior parte da atividade econômica do país e, consequentemente, o maior número de empresas em dificuldade. O crescimento de 39,6% em relação ao ano anterior reflete tanto o agravamento das condições econômicas quanto a maior conscientização dos empresários paulistas sobre os instrumentos disponíveis.
O Rio de Janeiro aparece em segundo lugar com 612 pedidos (+18,2%), seguido por Minas Gerais com 498 (+31,4%). Mas os dados mais surpreendentes vêm do Centro-Oeste e do Sul, onde o crescimento é impulsionado pela crise no agronegócio.
Goiás registrou um aumento de 45,3% nos pedidos, o maior crescimento percentual entre os estados. Rio Grande do Sul (+27,8%) e Paraná (+22,1%) também apresentaram crescimento expressivo, refletindo a crise que atinge produtores rurais e empresas ligadas ao agronegócio nessas regiões.
A análise regional mostra que a democratização do acesso à recuperação judicial precisa ser pensada de forma descentralizada. Não basta concentrar informação e serviços em São Paulo e no Rio de Janeiro — é preciso que a orientação chegue aos empresários do interior, onde muitas vezes a falta de acesso a advogados especializados é o principal obstáculo.



