O Brasil encerrou o ano de 2025 com um número recorde de 5.680 empresas em processo de recuperação judicial, representando um crescimento de 24,3% em relação ao ano anterior. Os dados, compilados pela Serasa Experian e pelo Observatório da Insolvência, confirmam uma tendência que vem se acelerando desde 2023.
O aumento reflete tanto o agravamento das condições econômicas para determinados setores quanto uma maior conscientização dos empresários sobre os instrumentos legais disponíveis para reestruturar suas dívidas. "Estamos vendo uma mudança cultural importante", afirma a professora de Direito Empresarial da USP, Dra. Mariana Fonseca. "Antes, pedir recuperação judicial era visto como atestado de fracasso. Hoje, cada vez mais empresários entendem que é uma ferramenta de preservação."
Entre os setores mais afetados, o agronegócio lidera com 1.990 pedidos, seguido pelo varejo (892), construção civil (678) e indústria (534). O crescimento mais expressivo, porém, está entre as pequenas e médias empresas (PMEs), que representam cerca de 80% dos novos pedidos — um aumento de 61,8% em relação a 2023.
A Lei 11.101/2005, que regulamenta a recuperação judicial no Brasil, completou 21 anos em 2026. Reformada em 2020 pela Lei 14.112, o instrumento ganhou novos mecanismos que facilitam o acesso, especialmente para empresas de menor porte. Entre as principais mudanças estão a possibilidade de financiamento DIP (Debtor-in-Possession), a mediação prévia e o tratamento diferenciado para microempresas.
Apesar do avanço, especialistas alertam que cerca de 30% das empresas que entram em recuperação judicial acabam falindo, muitas vezes por falta de orientação adequada ou por iniciarem o processo tarde demais. "O stay period — prazo de 180 dias que suspende execuções contra a empresa — é uma janela preciosa, mas precisa ser utilizado estrategicamente", explica o advogado especialista em reestruturação, Dr. Carlos Henrique Abrão.
O Stay Period existe justamente para preencher essa lacuna de informação. Nosso objetivo é que todo empresário brasileiro tenha acesso a orientação clara, prática e gratuita sobre os caminhos disponíveis para preservar seu negócio, seus empregos e sua contribuição para a economia do país.


