Os pedidos de recuperação judicial entre pequenas e médias empresas (PMEs) cresceram 80% nos últimos dois anos, segundo levantamento da Serasa Experian divulgado em março de 2026. O dado confirma uma tendência que preocupa economistas e especialistas em direito empresarial: as empresas de menor porte são as mais vulneráveis às crises econômicas e, ao mesmo tempo, as que menos têm acesso a orientação jurídica especializada.

Das 5.680 empresas em recuperação judicial no Brasil em 2025, aproximadamente 4.544 são classificadas como PMEs — empresas com faturamento anual de até R$ 300 milhões. Muitas delas são negócios familiares, com décadas de história, que empregam dezenas ou centenas de pessoas em suas comunidades.

O principal fator por trás do aumento é o endividamento crescente. Com juros elevados (a Selic fechou 2025 em 14,25%), muitas PMEs que tomaram crédito durante a pandemia para sobreviver agora enfrentam dificuldades para honrar esses compromissos. Além disso, a queda no consumo em determinados setores e o aumento dos custos operacionais agravaram a situação.

A boa notícia é que a taxa de sucesso da recuperação judicial entre PMEs tem melhorado. Dados do Observatório da Insolvência mostram que, entre as empresas que concluíram o processo nos últimos três anos, 68% conseguiram se reestruturar e continuar operando. O fator determinante, segundo os pesquisadores, é o momento em que a empresa busca ajuda: quanto mais cedo, maiores as chances de recuperação.